Morte de Rick Sollo: Copiloto do helicóptero estava receoso com o clima antes de voar
A morte de Rick Sollo, da dupla com Renner, e de outras quatro pessoas em um acidente de helicóptero na segunda-feira (21) pode ter relação com as condições climáticas enfrentadas durante o voo. Antes da decolagem, o copiloto da aeronave demonstrou preocupação com a mudança no tempo e recebeu alertas sobre a chegada de uma frente fria na região de destino.
As novas informações foram reveladas pelo Fantástico neste domingo (27), que refez o trajeto do resgate até o local da queda e teve acesso a mensagens trocadas antes da decolagem. Os registros mostram que a tripulação estava ciente da piora das condições meteorológicas previstas para São Joaquim, na Serra Catarinense.
Às 6h59, o copiloto Leopoldo Barros Teixeira entrou em contato com Juliano Luft, operador do aeroporto de Lages, onde o Bell 430, de prefixo PP-MGR, faria uma parada para reabastecimento. Às 7h52, Luft enviou uma foto mostrando as condições do tempo em Lages, que naquele momento eram consideradas boas para voo visual.
Na mensagem enviada à tripulação, porém, o operador fez um alerta sobre a mudança prevista para as horas seguintes: “Mais tarde chove. Quanto antes vir, melhor”.
Pouco depois, o próprio comandante Antônio Roberto Nóbrega de Araújo telefonou para Luft. Segundo o operador, o piloto afirmou que sabia que o tempo estava ruim na região para onde seguiriam e pediu fotos e um vídeo das condições meteorológicas em Lages.
Naquela manhã, a Defesa Civil já havia emitido um alerta de tempestade severa para a região de São Joaquim, com previsão de granizo, vendaval e raios. Segundo Luft, a frente fria já havia chegado a Criciúma e se aproximava da área de destino.
Mesmo com a previsão de mudança no tempo, o helicóptero decolou de Porto Belo, no litoral catarinense, às 11h, com destino a São Joaquim. Às 11h17, Luft tentou fazer novo contato para saber se a aeronave ainda seguiria para Lages para abastecer, mas não recebeu resposta.
Investigação sobre a queda
O Fantástico também mostrou imagens dos destroços do Bell 430 espalhados pela mata e acompanhou o trabalho da Polícia Científica, que utiliza drones e um scanner tridimensional para reconstruir a cena do acidente.
O engenheiro aeronáutico e professor da Poli-USP Jorge Eduardo Leal Medeiros analisou as condições do voo e afirmou que, em uma avaliação preliminar, não há indicação clara de uma falha mecânica. Segundo ele, o Bell 430 era uma aeronave de boa qualidade e equipada com duas turbinas.
Entre as hipóteses levantadas está a ocorrência de um downdraft, uma corrente de ar descendente que pode acontecer quando o ar desce pelas encostas de uma montanha e empurra a aeronave para baixo. Medeiros também questionou se o piloto tinha plena noção da posição do helicóptero e se contava com o GPS para auxiliar na navegação.
O especialista ainda apontou, de forma preliminar, a possibilidade de uma falha humana associada às condições meteorológicas. Ao analisar a posição da aeronave e dos destroços, Medeiros avaliou que o helicóptero pode ter atingido a mata ainda em voo, e não durante uma tentativa de pouso.
Além de Rick, estavam a bordo o empresário Bruno Avelar, o produtor de vídeos Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.
Pouco antes da decolagem, Avelar enviou a um amigo uma foto feita dentro da cabine, na qual o comandante aparece diante do painel de controle. Soares também registrou o helicóptero no heliponto de Porto Belo e publicou imagens da viagem nas redes sociais.
A aeronave desapareceu durante o trajeto até São Joaquim. Os destroços foram encontrados posteriormente na região de mata, com as cinco pessoas que estavam a bordo já sem vida. As circunstâncias da queda continuam sendo investigadas.
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